sexta-feira, 17 de agosto de 2018

A voz e a fala por inerência.

A voz humana é “o” instrumento que todos tocamos e é provavelmente o que têm o som mais poderoso do mundo.

No limite deste exercício de raciocínio talvez seja mesmo o único que pode iniciar uma guerra ou criar uma amizade.

Certamente já todos tivemos a experiência de que, quando falamos, não nos ouvem, porque será?

Como é que podemos falar de forma que nos ouçam e que simultaneamente faça a diferença no mundo e nos que nos rodeia?!

No meu dia-a-dia deparo-me com uma série de hábitos que penso que devem mudar na forma como comunicamos, isto é como utilizamos a voz e a fala, e podemos identificar até como os pecados mortais da fala, da voz portanto.

Alguns destes exemplos claramente não fazem parte do meu dia-a-dia (repudio-os mesmo) mas não estou imune a todos eles enquanto ser humano com todas as virtudes e defeitos que tenho, visto da perspectiva que me dão os meus 56 anos.

O mexerico, coscuvilhice.  
Utilizar “o” instrumento poderoso como é a voz para por exemplo dizer mal de alguém que não está presente, não é claramente um bom hábito, e sabemos muito bem que a pessoa que está a falar mal cinco minutos depois estará a dizer mal de nós.

Julgar. 
Certamente muitos de nós senão todos nós, conhecem pessoas que são assim a conversar, a dialogar. É lógico que ouvir alguém a ser julgado é difícil (mesmo que as circunstâncias assim o exijam) e cria uma vulnerabilidade ao mesmo tempo. Acho que utilizar a voz e a fala, por inerência, para emitir um juízo de valor em detrimento de julgar é substantivamente diferente.

Negativismo.
Outros há que de forma permanente se queixam de tudo e por nada, fazendo disso quase um traço de personalidade, transpirando assim tipo uma miséria viral. Não só não espalham, esperança, leveza e sol pelos que os rodeiam como se auto procrastinam como se de uma virtude se tratasse, Errado é uma má utilização desse fenomenal instrumento.

Desculpas.                                                                                                                                  
Esta é uma figura por demais conhecida, havendo sempre “pessoas” que arranjam sempre um bode expiatório e assim poderem atribuir sempre as culpas aos outros, não assumindo a responsabilidade das suas acções. Utilização pauperrima da voz.

O Exagero e os Floreados.
Em certa medida degrada a nossa própria linguagem pois distorcer os factos não é mais do que isso mesmo, por exemplo se vejo qualquer coisa que é realmente incrível o que é que vou chamar-lhe, incrível, e não outra coisa qualquer. O exagero pode em última análise tornar-se numa mentira e depois são mentiras atrás de mentiras, um chorrilho de distorções e claramente este tipo de pessoas não são bem-vindas (no espaço que ocupo e muito menos no meu dia-a-dia) nem têm qualquer interesse ouvi-las quanto mais dar-lhes a importância que não têm mas apenas a que elas atribuem a si próprias pois sabemos que estão a mentir, mentem para justificar a mentira atrás de mentira, num excesso de entusiasmo pelo floreado e exagero. Não prestam, pois lá diz o ditado a verdade vêm sempre ao de cima.

O Dogmatismo. 
Não pode haver nada de pior do que confundir opiniões com os factos pois quando estas duas coisas se misturam, umas vezes fazemos orelhas moucas, porque nos bombardeiam com opiniões como se fossem verdades. É difícil ouvir pessoas assim.

Em suma é minha convicção que utilizar a voz e a fala para o mexerico, coscuvilhice, julgar, transmitir negatividade, desculpas, exageros, floreados e dogmatismo, são um péssimo serviço no que ao bem estar dos outros diz respeito, começando pelo próprio.
Há porém forma de lidar com este tipo de pessoas que exibem com orgulho estas atitudes comportamentais e debitam verborreias que sintetizo nos parágrafos anteriores.

Podemos por exemplo considerar também, e ainda sintetizando, alguns pilares que me parecem fundamentais como valores a ter em linha de conta se queremos realmente que as nossas palavras façam a diferença pela positiva relativamente aos que nos rodeiam;

Honestidade e/ou higiene Intelectual, ou seja ser verdadeiro, directo e claro no que se diz.
Autenticidade, sermos apenas (e não é pouco) nós mesmos.
Integridade, isto é a nossa palavra, ter escrúpulos e caracter para fazer o que se diz. Devemos ser alguém em quem se pode confiar.
Respeito.       
Ter respeito é do meu ponto de vista uma demonstração de elevação, carácter dando espaço ao outrem e desejar sempre o bem das pessoas, por duas razões primeira porque acredito que ninguém gosta de ouvir a verdade absoluta, no entanto temperada com bom senso, honestidade, sensibilidade e respeito é uma atitude positiva, a segunda porque quando realmente se deseja bem a alguém e dela (por exemplo) nos dizemos amigos é difícil julga-la ao mesmo tempo. Tenho sérias reservas que seja possível fazer as duas coisas em simultâneo.

Ao utilizar a voz e a fala não só importa o que dizemos como a maneira como o dizemos, uma e outra coisa estão sempre interligadas e quando tudo o que anteriormente referi falha então, só mesmo o lugar à indiferença e ausência fará sentido para aqueles que se enquadram nas atitudes (ou falta delas) que identifiquei, neles cabem imensas pessoas, sim pessoas, que talvez por falta de formação pessoal e académica com um substancial défice a vários níveis e em diferentes planos não tenham capacidade para interpretar e moldar o seu comportamento no dia-a-dia de modo a alimentar a urbanidade, civilidade e não menos importante, humildade.

Resumindo cuide não da voz mas de forma como a utiliza, até porque palavra dita não volta atrás é como o tempo.

Fausto e a voz, leia-se, palavra escrita.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Quincy Jones, Chaka Khan

Uma delícia para os ouvidos uma limpeza para a alma.



Rag'n'Bone Man - Human (Official Video)

Afinal todos somos, não é?!





sábado, 4 de agosto de 2018

"Reincarnation," film by Karl Lagerfeld ft. Pharrell Williams, Cara Dele...


Um novo dia desponta.
Após algum tempo ausente deste espaço, que para mim representa o called harbour of shelter and expression, por razões de saúde e outras que cada uma no seu contexto me desconstruíram mas me devolveram a individualidade, a personalidade e carácter intactos.
Levaram-me a equacionar tudo ou quase tudo no meu percurso de vida, senti um forte apelo em voltar.
Acredito ter resolvido as questões mais substantivas no que à família e ao meu dia-a-dia dizem respeito e o modelo que encontrei para o meu posicionamento e atitude.
Um novo caminho eis o resultado.
O caminho não se faz só quando interiorizamos e analisamos o que aprendemos, mas também. A grande aventura desta viagem é descobrir quem são e o que representam os que nos acompanham é aí que a viagem se completa.
A todos os que me ensinam, os que me aturam, os que amam apenas pelo que sou e represento para eles, não lhes desejo nada, dou-lhes o meu amor, amizade incondicional e um sentimento de enorme gratidão.
Sei que sou o impossível e muitas vezes o impensável, mas existo e nos outros me realizo.


Como um comum mortal tenho uma dívida de gratidão, para com a vida, que não será resolvida nunca.
Fausto e as impressões dos seus momentos

domingo, 22 de outubro de 2017

Jain - Come

Tenham um excelente fim-de-semana e não se esqueçam ser, e fazer, felizes os que vos rodeiam.



Venham daí que vale a pena.





Fazia algum tempo, neste tempo, que por falta de tempo ou por outras questões associadas a prioridades me afastei deste cantinho muito especial, do qual senti o chamamento e assim sendo aqui vai.


Eu, cidadão Português serei culpado? Sim.
Serei culpado? Também em Roma no ano 64 D.C. o foram Tácito e Suetônio, pois Nero na sua imensa sabedoria e competência tratou de encontrar culpados (?!?!?!?!?), também sou, pois tenho exercido o meu direito de voto sempre que a isso sou chamado e a minha orientação neste capítulo tem sido pelo lado dos que se mostram ou me parecem competentes, mas que desolação a minha ao olhar para este meu País, no que ele se tornou. Um vazadouro de tudo e coisa nenhuma. Extraio assim o resultado de soma de valor nula em quase tudo o que vejo.

Perante tudo o que se tem passado neste País, que amo incondicionalmente tal como o o Sr. Presidente de República e tantos e tantos cidadãos, exceptuando uns quantos que apurando melhor a leitura de todos os momentos (deixo os adjectivos para outra oportunidade) não posso deixar passar em claro o cidadão que comanda esta prole de incompetentes e correspondente clientela que interpreta o papel do Vilão, e muito bem (todos sabemos que o ar condicionado quando sujeito à devida manutenção não cheira a queimado nem tampouco provoca qualquer doença) que até ao momento ainda não provou qualquer sentimento de culpa decorrente da sua responsabilidade, atitude, comportamento e decisões e mais grave ainda que não abandonou os cidadãos à sua sorte.

Imperdoável seria não trazer à liça dois companheiros ilustres deste vilão, desta insana e vil partida de poker, a Sr.ª que passou de atitude de impotência (imagine-se o MAI impotente, coitados de nós cidadãos) à capitulação numa espécie de hara-kiri (indo finalmente de férias, coitada que já merecia…) e junte-se-lhe um secretário de estado da Administração Interna, um imberbe, que em plena tragédia catapultou toda uma revolta devolvendo-a aos cidadãos “disparando” (no pé, claro) que deveriam ser “proactivos”, a não esperarem aviões e bombeiros. De fora deixo o rascunho de nome ANPC, ficou feio, o papel ficou queimado e não dá para ler e como tal não se percebe nada.

Por vezes recorro-me da minha cultura que é tão dada a milagres, e pela qual tenho o maior orgulho e respeito, e na verdade quiçá um milagre a dois tempos fosse a resposta ou solução, por um lado a chuva e por outro a aparição de alguém que em vez de um raspanete a mortos, feridos, desalojados, cidadãos em estado de choque, tivesse a ombridade e caracter que só assiste aos que sentem verdadeira responsabilidade relativamente aos cidadãos que os elegem e encontrar soluções para um momento de catástrofe, em suma assumir as responsabilidades que são as de quem desempenha funções governativas, ponto. Cheguei à conclusão de que já não há milagres.

Dito isto e tudo o mais que fica por verter aqui este sentimento de revolta lembra-me que há um País dentro de outro País (estranho não é?), se bem que já aqui fiz referência que temos neste espaço físico 3 ou 4 classes de cidadãos, e se por um lado não é por sorte que as condições dos cidadãos têm vindo paulatinamente a melhorar também não é por “azar” que vivemos esta catástrofe, é por falência constrangedora das responsabilidades do Estado Português, que tem a responsabilidade da gestão e governação em todas as vertentes de um Estado de Direito com todas as suas competências e obrigações, na defesa e bem-estar dos cidadãos.

Sim, o governo de Portugal tem obrigações, logo o Estado, e na mais elementar de todas que é a protecção do cidadão colapsou.

Obrigado Estado Português.

Fausto em estado de choque, assim meio catatónico e só me ocorre um personagem da nossa história que quando questionado, faz muito tempo, disse e passo a citar… “obviamente demito-o”. Eu não me demito da admiração à Pátria, mas espero para ver e já lá vão 55 anos de tanto esperar…

Em jeito de nota de rodapé deixo aqui o texto do artigo 21º da Constituição da República Portuguesa
ARTIGO 21º (Responsabilidade civil do Estado)

1. O Estado e as demais entidades públicas são civilmente responsáveis, em forma solidária com os titulares dos seus órgãos, funcionários ou agentes, por acções ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício, de que resulte violação dos direitos, liberdades e garantias ou prejuízo para outrem.

sábado, 24 de setembro de 2016

ONE STEP BEYOND PRINCE BUSTER

O "homem" do SKA, o precursor deste ritmo absolutamente divinal.

PRINCE BUSTER de seu nome, ainda os piquenos que viriam a tornar-se famosos com o SKA, os Madness, não eram nascidos.



Hora de sair.

Razões podem encontrar-se muitas e nelas podemos descobrir como validar a decisão em deixar algo para trás, isto é sair. Quando o instinto nos diz ou sentimos que nos devemos retirar, regra geral encontramos uma boa razão por trás deste pensamento.
No âmbito profissional existem formas, umas mais responsáveis do que outras para fazer isso, de saber a hora de sair.
Ocorrem-me assim algumas como o tédio e apatia. O tédio é um estado de espírito que pode resolver-se mudando talvez a perspectiva, por exemplo, ou então andar a pé, enfim resolúvel. Quanto à apatia, por outro lado, é um sentimento, estado, mais profundo e letal. Pode ser considerado um estado inconsolável e doloroso de desinteresse pelo trabalho que desenvolvemos nas funções que desempenhamos é particularmente negativo, e potencialmente castrador, procrastinando e colocando em jogo na linha da frente a inteligência emocional como 1ª vítima deste estado.
 Se tivermos em linha de conta as pessoas que nos rodeiam, e é importante que o façamos pois são parte importante do nosso dia-a-dia e um contributo para uma aprendizagem constante sobre diferentes pontos de vista, e o que pode ser feito para melhorar a situação, ainda poderá existir um turn back, mas se a resposta for nada, então talvez seja verdadeiramente hora de sair.
Quando se atinge um ponto em que a apatia se encontra com o desinteresse e de seguida se cruza com a indiferença em relação ao trabalho que realizamos, é talvez sinal de que escolhemos o caminho errado, e a persistência não fará muita diferença apenas esgotará ainda mais as competências e o capital de confiança desmoronar-se-á de per si.
Existem alguns que reclamam por reclamar e isso não é claramente a solução, muito menos qualquer tipo paliativo, de facto a solução está sempre à frente do nariz e chama-se escolha, opção e decisão.
Por isso é hora de sair.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Björk - Hunter (Official Music Video)

Bom dia e um excelente fim de semana para todos os que por aqui passarem.
Sejam e sobretudo façam os outros felizes com a vossa presença, e não se esqueçam de sorrir.
Desfrutem da vida.


domingo, 4 de setembro de 2016

Leonard Cohen ~ You Got Me Singing





Eu não me pertenço nem quero, basta-me a minha individualidade e essa já me dá imenso que fazer. 

A alegria e a partilha fazem parte desse mesmo "pacote" não são pertença de ninguém em particular e por isso desejo uma semana plena de alegria e sorrisos a todos.





sábado, 3 de setembro de 2016

Jamie Cullum - Pointless nostalgic

Desejo a todos, no mínimo, um excelente fim-de-semana, pois se assim não for é para devolver.
Um abraço e um enorme sorriso para todos.




sexta-feira, 26 de agosto de 2016

FOLI (there is no movement without rhythm) original version by Thomas Ro...

A vida têm um ritmo constante e na verdade tudo é ritmo.
Este exemplo que vos trago é uma master piece.
Adorei e seria impossível não partilhar.


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Joss Stone - Here Comes The Rain Again - Amazing Live Performance (FULL HD)

Mas há sempre o Sol que brilha em nós e assim a coisa fica mais ou menos equilibrada







sábado, 20 de agosto de 2016

Tudo em nome da democracia ou o que lhe queiram chamar.
E são todos seres humanos, agora imaginem que não eram, ou será que não são mesmo?
Tortura, condições desumanas, mortes em massa nas prisões sírias, segundo o testemunho de sobreviventes, falamos de mais de 300 mortes por mês, uma média de 10 pessoas mortas por dia, desde 2011.
Chegados às prisões, são recebidos com um ritual de “festa de boas-vindas”, que envolve espancamentos com barras de metal ou cabos eléctricos e outros acessórios que prefiro não revelar e de seguida dando continuidade ao “ritual de boas-vindas passam às “verificações de segurança” traduzindo são nem mais nem menos que ataques sexuais contra mulheres.
Segue-se um conjunto de perguntas, os tais interrogatórios, coisa simples que tem a ver com a inserção e adaptação ao meio, momentos que são literalmente tortura implacável e cujos métodos são designados por dulab (forçar as vítimas a caber num pneu), falaqa (castigo infligido nas solas dos pés) ou shabeh (corpo suspenso pelos pulsos) usam também os tradicionais choques eléctricos, as violações, e arrancam-lhes as unhas dos pés e/ ou das mãos.  e é-lhes negado acesso a tratamento médico, condições de higiene ou mesmo comida e água. De facto depois de responder a esta série de questões com estes métodos que é que está em condições de ser assistido clinicamente, para quê os cuidados médicos (?!?!?!?).
Assim e após a resposta às questões colocadas e com a ajuda dos métodos anteriormente descritos, estão prontos para a inserção, deve ser um método muito eficaz, pois isto continua dia-a-dia sem cessar.
É chocante por ser algo que é novo, na data da publicação é certo.

É urgente, diria mesmo prioritário reclassificar a espécie a que pertenço
Fausto em pedaços.



Madeleine Peyroux Half The Perfect World

Como não sou propriamente adepto das coisas pela metade vou procurar a outra parte e voltarei em modo full fill.



sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Bach Double Violin Concerto - Yehudi Menuhin And David Oistrakh (sound HQ)



Nada como um concerto para dois violino em Lá Menor de JSBach para me sentir completo.
Já ouvi outras interpretações desta magnífica peça mas esta está entre a excelência e a perfeição.


Como a vida de faz de horas, dias e anos hoje tive assim uma hora daquelas.
A quem interessar.



O empresário, o capital humano e a liderança.

Este artigo não visa os extraordinários empresários e verdadeiros líderes e homens que verdadeiramente contribuem para o engrandecimento de Portugal e dignificam com a sua liderança o capital humano que detém nas suas empresas e dele retiram valor acrescentado. Para esta classe de empresários a minha gratidão em nome dos Portugueses em geral e dos seus empregados em particular.

Um grande bem-haja.

Mas, e há sempre um mas, infelizmente existem muitos empresários, quiçá talvez em excesso que não são nem uma coisa nem a outra acima referida, isto é nem empresários e muito menos líderes, e o artigo que se segue é-lhes dedicado em particular, é que hoje estou particularmente incomodado.

Quem não gostar sugiro que lhe acrescente ingredientes a gosto e contribua para que eu mude de opinião.

Em Portugal no que a empresas diz respeito, e tendo por base que em princípio são o reflexo dos valores dos empresários que as criam, é deveras encantadora e de tal forma enternecedora a análise que faço que me lembram muitas vezes Saint Exupéry.

O cuidado especial na escolha do capital humano, arrancando as ervas daninhas e a inteligência emocional, destruindo-o portanto.

A vaidade, legítima claro, simultaneamente construída sobre um monte de falácias fazendo crer que as suas características e condições são únicas e ímpares havendo um fundo de verdade mas pelo lado negativo.

Olham para as suas empresas como um Rei, alguns embriagados pela vaidade outros por negócios que entendem os melhores e os que devem ser feitos, mas ruinosos em toda a extensão pela forma e conteúdo arrastando consigo o capital humano a quem em última análise há-de ser assacada a responsabilidade.

Imaginam as suas empresas como se fossem um planeta onde os que os rodeiam, só respiram quando abrem a boca, pensam eles.

Consideram as suas empresas numa tal dimensão de enquadramento económico e financeiro que o capital humano, a que me referi como substantivo, passa a um conjunto de pequenos planetas que nem órbitas têm, pensam eles e chegando mesmo a ter o epíteto de incompetentes, não se faz pão sem farinha.

A verdade é se encontram na maior parte das vezes como se estivessem num deserto a falar com a serpente, isto é sozinhos, pois para o tal capital humano apenas resta o cinismo e o veneno da relação que estabelecem com os seus funcionários, tendo sempre por perto a tal da raposa, que não lhe ensina a cativar nem a criar laços mas sim a menorizar e extrair tudo o que bom o tal capital humano poderia acrescentar de valor e é neste exacto momento que o problema de alguns empresários começa quando a flor que viram crescer, porque a viram nascer, crescer, e a regaram com generosidade e liderança participativa, começa a definhar e aí sentem-se enganados pela flor (leia-se o capital humano) por ele escolhido, momento crítico e desastroso em que a colisão é inevitável, entre o conhecimento e a competência.

Sabemos que conhecimento e competência são interdependentes mas uma tem que dar lugar por consequência à outra e isso por uma certa ordem e não porque apenas detendo o poder se decide como.

A tristeza que me assola, neste exercício de raciocínio, resulta no facto de pensar nos milhares de funcionários que estão nas mãos destes incompetentes e a quem lhes é destruída a capacidade, abnegação, valor, e dignidade, entrega e que vêem hipotecado um futuro profissional e pessoal.

O maior pecado e melhor caminho para o fim de uma empresa, destruir o capital humano.

Podia e até me apetecia falar sobre as empresas de diferentes segmentos e áreas o sobre o seu real valor, expor o meu juízo de valor, não o faço.


quinta-feira, 14 de abril de 2016

Shura - Touch

O beijo
O dia do beijo passou assim como que por entre os
"pingos" da chuva desta Primavera em tudo estranha mas presente com o
que têm para nos entregar, e tudo isso é vida, até o beijo.


Entre os dias que vivemos e a forma como os vamos interiorizando e o que deles vamos retirando como aprendizagem vêm-sempre à ideia um texto de Jean-Jacques Rousseau.
É tão coerente, tão presente, tão assertivo e verdade que causa causa desconforto, mas é...

 A desigualdade
(...) O homem selvagem, quando acabou de comer, está em paz com toda a natureza, e é amigo de todos os seus semelhantes. Se, algumas vezes, tem de disputar o seu alimento, não chega nunca ao extremo sem ter antes comparado a dificuldade de vencer com a de encontrar noutro lugar a sua subsistência; e, como o orgulho não se mistura ao combate, ele termina por alguns socos. O vencedor come e o vencido vai procurar fortuna noutra parte, e tudo está pacificado. Mas, no homem da sociedade, é tudo bem diferente; trata-se, primeiramente, de prover ao necessário, depois, ao supérfluo. Em seguida, vêm as delícias, depois as imensas riquezas, e depois súbditos e escravos. Não há um momento de descanso. O que há de mais original é que, quanto menos as necessidades são naturais e prementes, tanto mais as paixões aumentam, e o que é pior, o poder de as satisfazer. De sorte que, após longas prosperidades, depois de haver devorado muitos tesouros e desolado muitos homens, o meu herói acabará por tudo arruinar, até que seja o único senhor do universo. Tal é, abreviadamente, o quadro moral, senão da vida humana, pelo menos das pretensões secretas do coração de todo homem civilizado.

Comparai, sem preconceitos, o estado do homem civilizado com o do homem selvagem, e investigai, se o puderdes, como além da sua maldade, das suas necessidades e das suas misérias, o primeiro abriu novas portas à miséria e à morte. Se considerardes os sofrimentos do espírito que nos consomem, as paixões violentas que nos esgotam e nos desolam, os trabalhos excessivos de que os pobres estão sobrecarregados, a moleza ainda mais perigosa à qual os ricos se abandonam, uns morrendo de necessidades e outros de excessos; se pensardes nas monstruosas misturas de alimentos, na sua perniciosa condimentação, nos alimentos corrompidos, nas drogas falsificadas, nas velhacarias dos que as vendem, nos erros daqueles que as administram, no veneno do vasilhame no qual são preparadas; se prestardes atenção nas moléstias epidémicas oriundas da falta de ar entre multidões de seres humanos reunidos, nas que ocasionam a nossa maneira delicada do viver, as passagens alternadas das nossas casas para o ar livre, o uso de roupas vestidas ou despidas sem precauções, e todos os cuidados que a nossa sensualidade excessiva transformou em hábitos necessários, e cuja negligência ou privação nos custa imediatamente a vida ou a saúde; se puserdes em linha de conta os incêndios e os tremores de terra que, consumindo ou derrubando cidades inteiras, fazem morrer os habitantes aos milhares; em uma palavra, se reunirdes os perigos que todas essas causas acumulam continuamente sobre as nossas cabeças, sentireis como a natureza nos faz pagar caro o desprezo que temos dado às suas lições.

Jean-Jacques Rousseau, in 'Discurso Sobre a Origem da Desigualdade'
A Satisfação
Sentir que fazemos o que devemos fazer aumenta a consideração que temos por nós próprios; desfrutamos, à falta de outros motivos de contentamento, do primeiro dos prazeres - o de estar contente consigo mesmo... É enorme a satisfação de um homem que trabalhou e que aproveitou convenientemente o seu dia. Quando me encontro nesse estado, gozo depois, deliciadamente, com o repouso e os mais pequenos lazeres. Posso mesmo encontrar-me no meio das pessoas mais aborrecidas, sem o menor desagrado; a recordação do trabalho feito não me abandona e preserva-me do aborrecimento e da tristeza.

Eugène Delacroix, in 'Diário'


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

David Bowie - Blackstar

Uma viagem que nos levou através da genialidade,
excentricidade, mais um momento de indescritível saudade, depois de uma vida de
criatividade só ao alcance de alguns.
Não faleceu hoje mas sim sexta-feira, isto é, no dia em que
nasceu.
RIP.
Esta contínua saudade deixa um vazio à medida que um após
outro nos vão deixando.
Foi o que chamo de punch in the stomach.
Não faz dois meses que fiz aqui um post de antecipação ao
seu último trabalho que acabou de ser apresentado, ontem, Black Star.
Premonitório ou em última análise a consciência de que
estava de partida.



Um a um vão partindo, ou por outra vão mudando de lugar, de
sítio. Mas para que sítio vão, que lugar será esse. É também nosso certamente.
David Bowie



sábado, 2 de janeiro de 2016

Porcupine Tree - Way Out Of Here

O passado é história.

O futuro ainda não emergiu.

O aqui e agora é claramente a razão de tudo e de nada, pelo menos muito.

A existência fugaz, efêmera, de sentir, estar, querer e permanecer, ou fugir.





sábado, 26 de dezembro de 2015

Sinto-me grato feliz e leve.............................................

https://www.youtube.com/watch?v=e4X5z8AQc3s&feature=share


Sinto-me grato e feliz por isso.
Uma gargalhada da alma é como defino a minha gratidão quando algo excede as minhas expectativas, acredito mesmo que as pessoas com predisposição para a gratidão não dão nada por garantido e agradecer talvez seja a forma mais elevada de pensar e a alegria desta atitude duplica-se só em pensar agradecer.
A gratidão acontece, surge, dá-se também quando algo acontece para além das nossas expectativas assim quase como se não fosse merecida e embora não abdique da ideia, mas deixo espaço para outras leituras claro, de que as pessoas com predisposição para a gratidão são as que de facto sentem e acreditam na contínua dependência dos outros para se realizarem enquanto pessoas.
Não nos pertencemos, já o disse e a gratidão é assim uma espécie de dívida que só é paga depois de alguém nos fazer sentir que recebemos além das nossas expectativas, logo a gratidão é um sentimento reactivo pois a acção precedeu-o.
Sem acção a reacção não fará sentido, mas pergunto então qual será a sensação de agir em vez de reagir, será um duplo sentimento de gratidão?!
Quando pensamos que a natureza humana é boa e poderosa, não estando longe estamos desfasados, pois essa bondade e gratidão não existem no peso exacto e muito menos na medida certa que temos em dívida para com os outros.  

domingo, 13 de dezembro de 2015


Faço votos de que nesta época a tolerância, compreensão e amor pelo próximo não sejam pensamentos e palavras vãs.
Para todos os presentes e ausentes desejo uma época de Paz, um excelente Natal rodeados da família e dos amigos.

Que o ano de 2016 seja pleno nas aspirações profissionais e pessoais.

O sorriso e amizade 
serão sempre as estrelas que guiarão a alma e lhe darão conforto.




quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Fausto, literalmente em pedaços...

Fico imaginando que pela casa nos cruzamos e em cada olhar para o sofá,  canto, corredor, porta ou parapeito da janela, cruzamos expressões.
Mas fico triste ao cair na realidade
não é mais assim…
Talvez tenha sido um sonho
Um sonho lindo
Em que um dia
No livro da minha vida
Que foi uma página
Que marcou a minha história de vida. 
Obrigado Lucy, quiçá terás sido o anjo que produziu um milagre na minha vida e ainda não percebi.

sábado, 31 de outubro de 2015

Puppini Sisters - Sway

Se a gratidão é "uma gargalhada da alma" com este som a minha está aos saltos.

Adorei.

Bom fim de semana





domingo, 18 de outubro de 2015

Desejo-vos uma excelente semana em que, tudo o que for menos do que bom é para devolver, ou resolver.
Se a vontade for pouca e as ideias nenhumas podemos sempre agir como a água e isso não é virar as costas, é sim ter a percepção que temos que continuar o caminho mesmo que para tal tenhamos que contornar um ou outro obstáculo.
É a vida no seu esplendor, regozijem-se, divirtam-se e desfrutem ao máximo o mínimo que a vida entrega, pois haverá um dia em que a vida não terá nada para nos entregar.


Não me pertenço.
Dou por mim, vagueando entre as minhas ideias e devaneios, a pensar que na verdade não me pertenço e só o meu egoísmo me faz pensar o contrário. Assumo isso pois faz parte de mim, e isso sim, entre outras coisas pertence-me.
Se recebemos tudo dos outros, as emoções, as alegrias, as tristezas, os sorrisos, as lágrimas e transformamos na nossa realidade, como podemos em rigor dizer que nos pertencemos e não assumir que definitivamente pertencemos a que nos vê, nos fala, nos acarinha, nos dá uma má resposta, nos educa, nos ensina, enfim pertencemos a todos que no seu conjunto partilham o espaço físico e emocional, esse sim que é nosso.
Creio que o ser humano tropeçou neste propósito de reconhecer que pertence ao outro, será por isso que se diz por aí que cada ser humano nasce para produzir um milagre na vida de alguém.
Será mesmo.
Isto tudo para desejar uma excelente semana a todos e um sorriso do tamanho da generosidade e bondade de cada um.
Fausto e o Frederico desceram à Terra

sábado, 3 de outubro de 2015

Black Light Smoke - Lovework (DJ T Remix)

Bom fim de semana e quanto à reflexão deixem o amor falar alto.

Divirtam-se sejam e façam os outros felizes.

Regra número 1: sorrir





sexta-feira, 18 de setembro de 2015

A jornalista Stephanie Sinclair esteve no Nepal e presenteia-nos com um artigo escrito para a National Geographic, no qual nos dá a conhecer a comunidade restrita das kumaris, raparigas eleitas como deusas. 
"É uma honra ser escolhida como kumari“, diz Stephanie, numa entrevista ao New York Times, “mas também um fardo”. Actualmente, existem 10 kumaris no Nepal, nove delas em Katmandu. Veneradas por hindus e budistas, acredita-se que elas podem curar as pessoas, realizar desejos, trazer prosperidade e ver o futuro. As kumaris mais importantes não podem pisar o chão e são transportadas para todo o lado, raramente têm tempo de ir à escola. Apesar de serem crianças, não se pode agir contra a sua vontade. Stephanie acompanhou a vida de Unika, uma criança de dois anos, antes e depois de se tornar kumari. “Se ela quer comer gelado às sete da manhã, ela pode. Tem de ganhar todos os jogos que faz com os irmãos e a família evita que ela fique chateada”. As kumaris só voltam a ser “mortais” quando sangram, seja por um corte, doença ou pela menstruação. Se assim o for, devem renunciar o seu estatuto e voltar à vida normal, que muitas vezes, é difícil de retomar.

Entre o conto e a lenda gostei e assim o reproduzo, em parte, aqui sugerindo a pesquisa pois é delicioso.


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Eu tenho pena.
Dos que tiveram que largar tudo e emigrar, só vendo as famílias anualmente!
De muitos avós que trabalharam uma vida e ainda tem que ajudar os filhos e todos vivem dificuldades!
De passear nas ruas e ver lá pessoas a dormir!
De pais de amigos que fecharam empresas e com lágrimas colocaram trabalhadores no desemprego!
De quem entregou casas aos bancos!
De ver filas na sopa dos pobres!
De ver pais que nem dinheiro tem, para despesas para o novo ano lectivo!
De ver polícias a morrer pois não tem material balístico!
De ver morrer bombeiros pois faltam meios!
De ver gente a morrer nas camas dos hospitais por falta de uma injecção!
De ver viaturas de emergência paradas por falta de verbas para uma simples correia de distribuição!
De ver tractores e traineiras paradas por falta de verbas quando o nosso maior potencial é a agricultura e pesca!
De ver vidas desfeitas!

Tenho pena de ver este País onde afinal há dinheiro, há ideias e há projectos, mas não para os cidadãos que necessitam e sim para acomodar, termo muito macio da Sr.ª Ministra das Finanças, 3,9 Biliões, e também para as grandes causas mas para os outros que não são nem uma coisa nem a outra, apenas lhes/nos resta a expectativa.

Tenho imensa pena.

Fausto

domingo, 6 de setembro de 2015

Devil Doll . Things you make me do

Hotel California - Cubanos Acapella

Na linha do toca e foge desejo a todos os que por aqui
passarem uma excelente semana e que vejam os seus desejos e esperanças
correspondidos.


Não se esqueçam de fazer por isso...  


Qual é o denominador comum?

A humanidade vem em crescendo desde a II guerra Mundial, passando pela queda do muro de Berlin até ao colapso que se advinha, com o que se passa no Médio Oriente e cujas reais consequências embora algumas já visíveis, mas a caminho do verdadeiro impacto que vive ainda no domínio do imaginário.  

Os governantes do Médio Oriente, Americanos, Europeus e Russos varrem a todo o custo a sua responsabilidade dos milhões e milhões de refugiados (só na Síria são 4.000.000 ) para debaixo do tapete fazendo crer que acolher 500.000 pessoas é um acto de enorme humanidade, também o é, mas o que na verdade seria um acto de seriedade e de verdadeira Humanidade e responsabilidade para com os Povos seria criar condições para terminar de vez com os conflitos no Médio Oriente. Utópico é claro, mas não existe outra forma porque pactuar e deixar andar vai levar-nos irremediavelmente para o abismo.
   
Se a minha casa não estiver a arder não necessito de fugir, nem ir para a casa do vizinho, ou tampouco pedir ajuda.

A hipocrisia dos senhores da guerra atinge neste momento, em que desabafo, um dos picos desde que há memória e para tal basta-me recuar 70 anos e se mesmo assim não chegar temos a intermitência das guerras que vão fazendo em casa dos outros, e isso leva-me a verificar que estamos em guerra (s) desde 1945, caindo por terra o argumento de que a paz traz prosperidade e esperança porque os tais senhores da guerra (leia-se lideres mundiais) seguem o caminho oposto.

Se é maior o interesse em alimentar as guerras e conflitos de toda e natureza e convicção, do que o interesse pela paz, o que é que está errado? Qual é o denominador comum?

Os Líderes dos USA, Médio Oriente, Europa, Rússia, China etc, que no seu conjunto arrastam com as suas ambições de perfeitos algozes e credos religiosos torpes BILIÕES de seres humanos para o colapso civilizacional.

Os factos e os argumentos que podemos elencar a este caos são tantos e tão densos que se perdem e mesmo se misturam no universo do irracional e do burlesco. Chego mesmo a pensar que um dia destes já nem se vão lembrar por que razões começaram os conflitos, e em detrimento de aplicações financeiras investem no financiamento das mesmas.

Existem porém teorias da conspiração para todos os gostos desde a Eugenia, à dos Illuminati, passando pelas diversas lojas da Maçonaria que tem em comum a ideia da “eliminação de pelo menos 4.000.000 Biliões de seres humanos, isto está escrito em toda a linha de pensamento doas sociedades e conceitos que referi, basta pesquisar e ler. Chamem-lhe teorias da conspiração, ficção e o que a imaginação permitir, mas é um pouco como o ditado;
Não acredito em bruxas mas que as há, isso há.


Fausto, o culpado.

domingo, 30 de agosto de 2015

Somewhere Over The Rainbow - Julia Westlin

Distante mas nunca ausente.

Desejo-vos uma excelente semana e já sabem nunca se esqueçam dos sorrisos.



sábado, 29 de agosto de 2015

sábado, 15 de agosto de 2015

15 Agosto 2015
Rui.
Olho pela janela entreaberta e o vento sussurrou a saudade e um enorme vazio que me deixa inquieto e triste.
Este sentimento não se explica, talvez por isso ainda mais intenso e incontornável do que outros, desconstrói e deixa um vazio que só se preenche completando o ciclo que lhe deu origem e aí Rui deixaria de me sentir incompleto porque é disso mesmo que se trata a saudade a mim deixa-me incompleto.
Serás sempre a razão “desta contínua saudade”, como escreveu o teu tio.
Não é possível esquecer  e muito menos passar ao lado das alegrias e loucuras que contigo eram vividas e partilhadas na família, contigo presente.
As loucuras não acabaram, a família também não, mas muito de tudo isto se transformou e ficou diferente não sei se melhor, ficou diferente.

O que não ficou diferente foi a saudade e o vazio, sentimos … mas não te vemos e isso dói.




segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Reflexão sobre critérios e prioridades. 
   
Quero, antes do mais, fazer uma declaração de princípio e desde já manifestar a minha concordância total e absoluta com o ensino privado, a saúde privada etc., acrescente-se que sou claramente um defensor da economia de mercado e/ou mista e que é, basicamente a teoria em prática, utilizada por estes players, se bem que não se perceba lá muito bem onde termina uma coisa e começa outra, pois estratégia é algo que me parece ausente desta questão.

Uma das preocupações sociais dos actuais governantes, está espelhada no montante de verbas a atribuir ao ensino privado(até aqui tudo bem), mas retirando ao ensino público (ora aqui tudo mal).
Será possível que entre Mário Sottomayor Cardia (apesar da sua tese de doutoramento ”Da Estrutura da Moralidade) até Nuno Crato (Docente, docente, docente, uma condecoração atribuída imagine-se por quem) exista apenas um enorme vazio. Não é normal mas os factos não concorrem em abono dos diversos Ministros da educação e entre 1976 até 2015.  

Não posso deixar de manifestar a minha estupefacção pelo critério e prioridade na área educativa, Crato e os seus pares, uma vez mais. 

Os colégios privados receberão 140 milhões de euros do dinheiro dos impostos, mais do que óbvio é um degredo absoluto de retirar estas verbas às escolas públicas, porque não vai ser de outra forma.

Eu conheço esta realidade porque lido no dia-a-dia com instituições de ensino privado, e público, de excelência e até aqui é pacífico quanto à qualidade, capacidade do corpo docente e demais condições, é no entanto contraproducente esta escolha e sobretudo as consequências que dela resultam.

É inquestionável e de igual modo verdade que a escola pública (o ensino em geral) entregue aos responsáveis pela educação que em Portugal desde Sotto Mayor Cardia, até Crato tem percorrido um caminho tão errante quanto demolidor e com consequências como se sabe. Esta é também um demonstração clara das preocupações sociais do estado, estado a que chegamos.

Retirando às escolas públicas (que sofreram cortes na ordem dos 10%) para financiar as escolas privadas acreditarão os responsáveis pela educação que este caminho faz parte da resposta a um equilíbrio social mais justo para o povo Português com mais apoio financeiro para famílias com filhos em colégios (tenho o mais elevado e sincero respeito).

Defender Abril, seria eventualmente criar condições para uns e outros e não para uns em detrimento de outros, a fazer fé nas palavras de alguns líderes políticos.

A escola pública, pilar fundamental da educação em qualquer País, não o é em Portugal.


Estamos muito próximos dos níveis de 1978, sim de há 37 anos é o tal progresso, segundo estatísticas existem 1.731.329 alunos e em 1978 havia 1.670.011? Então mas em 37 anos, mesmos tendo em linha de conta todos os aspectos da dinâmica de nascimentos, emigração, etc, etc...? 

E assim iniciei a semana passando da incredulidade à estupefacção, mas não muito apesar de a classe política em geral (salvaguardando as devidas distâncias para os políticos que desempenham a sua função com sentido e dever de estado), nos presentear com decisões por impulso, ou por um qualquer interesse e invariavelmente corrigidas aquando dos seus resultados. 

Isto é que é para mim a inversão do sentido de estado, o dever para com a "coisa" pública.

Dito isto, o que desejo é que a semana se abra plena de alegria, satisfação e de momentos onde coexistam as férias e o trabalho, para uns e outros. 

Eu não me encontro esse intervalo do Les uns et les autres, e também espreito a oportunidade que logo há-de surgir, espero, começo a ficar desconfortável com a ideia de ser e permanecer invisível.